Novo Freelander 2026 chega como marca independente com plataforma de 800V e bateria CATL
O nome Freelander volta ao mercado em 2026 como marca elétrica independente. O Concept 97, revelado em março, tem 554 cv, carregamento de 360 kW e autonomia acima de 1.500 km na versão EREV.

Danniel Bittencourt
08/04/2026
Freelander volta, mas não como você lembrava
O nome Freelander sumiu das concessionárias em 2014. Agora ele retorna — não como um modelo dentro da Land Rover, mas como uma marca elétrica independente, criada pela parceria entre a JLR e a Chery Automobile.
O Freelander Concept 97 foi apresentado em 31 de março de 2026, na China, e representa o primeiro de seis modelos previstos até o final da década. A produção em larga escala começa ainda em 2026, na fábrica de Changshu.
No mercado, o carro mira direto no Li Auto L8 e no AITO M7, dois dos SUVs de autonomia estendida mais vendidos da China. O público-alvo são compradores que querem tecnologia avançada sem abrir mão da identidade off-road.
Curiosidade: o nome “Concept 97” é uma homenagem ao ano de 1997, quando o Freelander original foi revelado no Salão de Frankfurt e se tornou o SUV mais vendido da Europa na época.
Um SUV grande, com formas quadradas e referências dos anos 90
O Concept 97 tem comprimento superior a 5.100 mm e distância entre-eixos acima de 3.000 mm. É um SUV grande, com carroceria alta e superfícies laterais planas — um visual robusto, sem ornamentos desnecessários.
Na frente, não há grade tradicional. O painel é selado, com o nome “Freelander” integrado de forma proeminente. Os faróis usam LED estilo pixel, conectados por uma barra de luz de largura total.
Na traseira, lanternas delgadas formam uma faixa escura que contrasta com o acabamento em alumínio vertical do porta-malas.
O destaque positivo é a coluna D diagonal, que remete diretamente ao Freelander de três portas de 1997 — um detalhe que os fãs da marca vão reconhecer.
O ponto que pode gerar crítica: as portas de abertura oposta (estilo suicida) foram exibidas no conceito, mas os testes estruturais indicam que a versão de produção deve adotar portas convencionais. Quem se animou com esse detalhe pode se decepcionar.
Seis lugares, tela panorâmica e chip automotivo de última geração
O interior tem seis assentos distribuídos em três fileiras (2+2+2). O design segue a ideia de transformar o carro em um espaço de convivência, não apenas de transporte.
O painel apresenta uma tela panorâmica que se estende por toda a largura, posicionada na base do para-brisa. Há ainda uma tela central flutuante, tela rebatível no teto e carregamento sem fio duplo para os passageiros traseiros.
O processamento é feito pelo chip Qualcomm Snapdragon 8397, com capacidade computacional três vezes superior à geração anterior — o que se traduz em respostas rápidas, gráficos detalhados e suporte a sistemas de condução autônoma.
O ponto forte é o modo gravidade zero no assento do passageiro da segunda fileira, que permite inclinação quase horizontal em viagens longas.
A limitação real: componentes como o LiDAR de 896 linhas e o sistema de freio EMB são altamente específicos. Fora da China, a rede de serviços pode ter dificuldades para mantê-los — e isso é um risco concreto para compradores em outros países.
Três opções de motor, 800V e bateria que funciona até -30°C
O Freelander Concept 97 oferece três tipos de propulsão, todos baseados na plataforma E0X de 800V da Chery:
- BEV (elétrico puro): configuração tri-motor com 413 kW (554 cv) — potência suficiente para fazer o SUV de mais de 2.100 kg ir de 0 a 100 km/h em menos de 4 segundos.
- EREV (autonomia estendida): motor 1.5L turbo funciona como gerador de bordo. A autonomia total pode ultrapassar 1.500 km no ciclo CLTC — ideal para regiões com infraestrutura de carregamento limitada.
- PHEV (híbrido plug-in): equilibra uso urbano elétrico com um motor a combustão para trajetos mais longos.
A bateria CATL Freevoy suporta carregamento de até 360 kW, recuperando 280 km de alcance em 10 minutos. Ela também mistura células de íons de sódio e lítio para manter o desempenho em temperaturas de até -30°C.
O consumo médio estimado é de 12 kWh/100 km na versão elétrica.
O ponto positivo é a flexibilidade: três opções de motor para diferentes mercados e infraestruturas.
A limitação: a versão EREV acelera de 0 a 100 km/h em 7,6 segundos — um número razoável, mas bem distante dos menos de 4 segundos da variante tri-motor. São propostas muito diferentes dentro da mesma família.
Ficha Técnica
| Item | Especificação |
|---|---|
| Motor | Elétrico tri-motor (BEV) ou 1.5L turbo gerador (EREV) |
| Potência máxima | 413 kW / 554 cv (BEV tri-motor) |
| Torque máximo | Estimado em 663 Nm |
| Câmbio | Relação única (motores elétricos) |
| Tração | Integral inteligente i-ATS |
| 0 a 100 km/h | Menos de 4,0 s (BEV) / 7,6 s (EREV) |
| Velocidade máxima | Aprox. 210 km/h |
| Consumo | 12 kWh/100 km |
| Comprimento | Superior a 5.100 mm |
| Largura | Aprox. 1.978 mm |
| Entre-eixos | Superior a 3.000 mm |
| Peso | Entre 2.100 kg e 2.300 kg |
| Bateria | 60 kWh a 100 kWh (CATL Freevoy) |
| Carregamento máximo | 360 kW (800V) |
| Suspensão | Pneumática adaptativa de câmara dupla |
| Freios | Discos ventilados com sistema EMB |
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As dúvidas mais comuns sobre o Freelander 2026 respondidas sem enrolação
1. O Freelander 2026 chega ao Brasil? Ainda não há confirmação. O lançamento está concentrado na China em 2026, com expansão prevista para Europa, Oriente Médio e Austrália. O Brasil não foi mencionado nos planos iniciais.
2. Quanto tempo leva para carregar o Freelander elétrico? Com carregamento de 360 kW, o carro recupera 280 km de autonomia em apenas 10 minutos. Isso exige, porém, acesso a um carregador de alta potência compatível.
3. O Freelander ainda tem capacidade fora de estrada? Sim. O sistema i-ATS inclui três bloqueios de diferencial, suspensão a ar e amortecedores preemptivos que se ajustam antes de atingir irregularidades no terreno.
4. Qual a diferença entre a versão BEV e a EREV? A BEV é 100% elétrica, com até 554 cv e aceleração abaixo de 4 segundos. A EREV usa um motor 1.5L turbo como gerador para estender a autonomia total acima de 1.500 km, com desempenho mais modesto.
5. O sistema de condução autônoma funciona em qualquer país? O sistema Huawei ADS 4.1 foi desenvolvido para o mercado chinês. O funcionamento completo em outros países depende de adaptações regulatórias e de infraestrutura local — o que ainda não foi detalhado pela marca.
O que o Freelander 2026 entrega — e onde ele ainda precisa provar
O Freelander Concept 97 chega bem posicionado em tecnologia. A plataforma de 800V, a parceria com CATL e o sistema autônomo Huawei ADS 4.1 colocam o carro em um nível técnico que muitos SUVs europeus ainda não alcançaram.
O espaço interno generoso e as opções de motorização mostram que a marca pensou em diferentes perfis de comprador.
Mas há pontos que merecem atenção. A dependência de tecnologia chinesa — tanto da Chery quanto da Huawei — pode gerar desconfiança em consumidores europeus que buscam um produto com identidade britânica mais clara.
Além disso, as chances de chegada ao mercado norte-americano são mínimas por enquanto, por conta de tarifas sobre veículos fabricados na China. Isso limita o alcance global da marca.
No segmento de lançamentos de SUVs elétricos premium, o Freelander 2026 se destaca pela combinação de herança de design e tecnologia de ponta — mas ainda precisa provar, na prática, que a fusão entre JLR e Chery funciona fora dos salões de exposição.
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