Hyundai Boulder 2026 chega ao NYIAS e confirma picape média para 2030 com plataforma inédita
O Hyundai Boulder Concept estreou em Nova York com chassi de longarinas, pneus de 37 polegadas e interior sem tela central — sinalizando a chegada da marca ao off-road pesado.

Danniel Bittencourt
01/04/2026
Hyundai mira o coração do off-road americano
O Hyundai Boulder Concept foi revelado em 1º de abril de 2026, no Salão Internacional do Automóvel de Nova York. Não é um SUV urbano disfarçado de aventureiro — é o estudo de design de uma plataforma real de chassi de longarinas, a primeira da marca.
A mesma plataforma vai originar uma picape média prevista para 2030 e possivelmente um SUV derivado por volta de 2028.
O alvo declarado são o Ford Bronco e o Jeep Wrangler. O público-alvo são entusiastas de off-road, campistas remotos e profissionais que precisam de capacidade real de reboque e carga.
Curiosidade: o veículo foi projetado nos EUA, pela equipe da Hyundai Design North America, na Califórnia. E os modelos de produção serão montados em território americano, com aço produzido localmente.
Corpo quadrado, pneus enormes e para-lamas que chamam atenção
A silhueta é verticalizada, com dois volumes bem definidos e uma postura larga. Nada de linhas suaves — o Boulder tem forma predominantemente quadrada, inspirada em utilitários clássicos como o International Scout.
A dianteira traz luzes âmbar de identificação integradas à grade — as chamadas “Raptor lights”, que sinalizam legalmente que o veículo tem carroceria extra-larga. O para-brisa superior conta com uma barra de luz de alta intensidade.
Na traseira, o estepe de 37 polegadas fica montado na tampa biarticulada, que abre dos dois lados — uma solução prática para espaços de acampamento apertados.
Destaque positivo: os alargadores de para-lama são colossais, acomodando pneus 37×12.50R18 LT mud-terrain, com capacidade de tração superior em lama e proteção contra cortes em pedra.
Ponto crítico: o design foi comparado diretamente ao Bronco Concept de 2004 e ao Land Rover Defender. As janelas estilo safari e as “Raptor lights” deixam clara essa influência — o que pode dificultar a construção de uma identidade visual própria.
Sem tela gigante, com botões de verdade
O interior abandona a tendência das megascreens. Em vez de uma tela central dominante, o Boulder traz quatro pequenos monitores verticais modulares, cada um com uma coroa giratória para controle sem tirar os olhos da trilha.
O sistema de trilhos no painel permite encaixar dispositivos e medidores em qualquer posição. O Head-Up Display projeta as informações ao longo de toda a borda inferior do para-brisa.
Interruptores físicos dedicados controlam bloqueios de diferencial, modos de 4WD e dinâmica de estabilidade — sem menus digitais no meio do caminho.
Ponto forte: a ergonomia foi pensada para uso em trilhas severas, com alças de apoio estratégicas e comandos acessíveis por toque sem precisar olhar para o painel.
Limitação real: os controles de climatização foram suprimidos do console — uma escolha radical que pode gerar estranheza e desconforto no uso cotidiano.
Motor não confirmado, mas a aposta é clara
A Hyundai não divulgou potência, torque nem tipo de câmbio. A plataforma foi declarada compatível com motores a combustão (ICE), híbridos e elétricos a bateria (BEV).
Mas a aposta mais forte internamente é o sistema EREV — um motor de combustão que atua apenas como gerador, alimentando os motores elétricos de tração. A meta estrutural é uma autonomia combinada de mais de 600 milhas (~965 km), o que resolveria o problema clássico de picapes elétricas em áreas remotas sem infraestrutura de recarga.
A suspensão traseira usa eixo rígido sólido, padrão em rock crawling — quando uma roda sobe num obstáculo, ela empurra a oposta contra o chão, mantendo tração constante.
Ponto positivo: a arquitetura EREV endereça diretamente a maior fraqueza das picapes elétricas em uso pesado: a perda de autonomia ao rebocar.
Limitação: sem números confirmados de potência e capacidade de reboque, é impossível comparar diretamente com F-150 e Silverado — que vendem exatamente com base nesses dados.
FICHA TÉCNICA
| Especificação | Dados |
|---|---|
| Motor | Não divulgado (plataforma ICE, BEV e EREV) |
| Potência | Não divulgado |
| Torque | Não divulgado |
| Câmbio | Não divulgado |
| Tração | 4WD com seletor de modos e bloqueios mecânicos |
| 0–100 km/h | Não divulgado |
| Autonomia estimada (EREV) | ~965 km (meta estrutural, não confirmada) |
| Comprimento | 193,5 pol. (~4.915 mm) |
| Largura | 85,3 pol. (~2.166 mm) |
| Altura | 81,3 pol. (~2.065 mm) |
| Entre-eixos | 116,7 pol. (~2.964 mm) |
| Suspensão traseira | Eixo rígido com amortecedores de reservatório remoto |
| Rodas e pneus | 37×12.50R18 LT Mud-Terrain |
| Arquitetura | Chassi de longarinas totalmente fechado (body-on-frame) |
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As dúvidas mais comuns sobre o Hyundai Boulder Concept respondidas sem enrolação
1. O Hyundai Boulder Concept vai ser produzido? Sim. A plataforma que ele apresenta vai originar uma picape média prevista para 2030 e possivelmente um SUV por volta de 2028.
2. Qual é o motor do Boulder Concept? Não foi divulgado. A plataforma é compatível com ICE, BEV e EREV. A Hyundai aponta o sistema EREV como opção mais provável para uso pesado.
3. Quanto vai custar o SUV derivado do Boulder? Especulações do mercado indicam preço inicial por volta de US$ 40.000, mas nenhum valor foi confirmado pela marca.
4. O Boulder tem tração nas quatro rodas? Sim. O conceito apresenta 4WD com seletor de modos, bloqueios de diferencial e eixo traseiro rígido.
5. O Boulder concorre com o Jeep Wrangler? Diretamente. A Hyundai declarou o Ford Bronco e o Jeep Wrangler como alvos, com chassis e capacidade off-road equivalentes ao Wrangler Rubicon.
O que o Boulder entrega e onde ainda precisa provar
O Boulder Concept faz algo que poucos carros conceito conseguem: apresenta hardware mecânico real — chassi de longarinas, eixo sólido, pneus de 37 polegadas — em vez de apenas estética aventureira.
A proposta de interior com comandos físicos e ergonomia pensada para trilhas é diferenciada dentro do segmento.
Por outro lado, a janela até a produção é longa. Em 2030, o mercado pode estar diferente. E a falta de dados de desempenho ainda deixa perguntas sem resposta.
Dentro da categoria, o Boulder se posiciona com credencial técnica. Mas ainda precisa de números reais para competir de igual para igual com Wrangler Rubicon e Bronco Raptor nas conversas sérias sobre capacidade.
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